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Quinta-feira, Setembro 14, 2006

INVOCAÇÃO A DEUS ( CONFISSÕES – AGOSTINHO )

“Grande és tu, Senhor, e sumamente louvável: grande a tua força, e a tua sabedoria não tem limite” (Sl 48.2; 96.6; 145.3; 147.5). E quer louvar-te o homem, esta parcela de tua criação; o homem carregado com sua condição mortal, carregado com o testemunho de seu pecado( 2Co 4.10; Rm 7.17,23) e como o testemunho de que resistes aos soberbos (Pv 3.34; Tg 4.6; 1Pe 5.3); e, mesmo assim, quer louvar-te o homem, esta parcela da tua criação.

Tu o incitas pra que sinta prazer em louvar-te; fizeste-nos para ti, e inquieto está o nosso coração, enquanto não repousa em ti. Dá-me , Senhor, saber e compreender ( Cf - Sl 119.34,73,144) qual seja o primeiro: invocar-te ou louvar-te; conhecer-te ou invocar-te. Mas, quem te invocará sem te conhecer? Por ignorá-lo, poderá invocar alguém em lugar de outro. Ou será que é melhor seres invocado, para seres conhecido? “Como, porém, invocarão aquele em quem não crêem? E como terão fé sem ter quem anuncie” (Rm 10.14). Louvarão o Senhor aqueles que o procuram (Sl 22.27). Quem procura o encontra (Mt 7.8; Lc11.10), e, tendo-o encontrado, o louvará. Que eu te busque, Senhor, invocando-te; e que eu te invoque, crendo em ti: tu foste anunciado. Invoca-te Senhor, a minha fé, que me deste, que me inspiraste pela humanidade de ter Filho, pelo ministério de teu pregador.

COMO E POR OQUE INVOCAR A DEUS?

E como invocarei o meu Deus, ó meu Deus e meu Senhor? Pois, ao invoca-lo, eu o chamarei para dentro de mim. Que lugar haverá em mim, onde o meu Deus possa vir? Onde virá Deus em mim, o Deus “que fez o céu e a terra?” (Gn 1.1; 2Co 2.11).

Há então, Senhor meu Deus, algo em mim que te possa conter? E o céu e a terra, que fizeste e nos quais me fizeste, são eles capazes de te conter? Ou então, visto que sem ti nada existe daquilo que existe, será que tudo que existe te contém? Portanto, já que eu de fato existo, porque tenho de pedir tua vinda a mim, a mim que não existiria se não existisses em mim? Eu ainda não estive nas profundezas da terra e, no entanto, tu aí também estás. Pois, “mesmo que eu desça às profundezas da terra, aí estás” (Sl 139.8) Pois eu não existiria, meu Deus, eu de forma alguma existiria, se não estivesses em mim. Ou melhor, eu não existiria se não existisse em ti, “ de quem tudo, que , por quem tudo, em quem todas as coisas existem”? (At 17.28; Rm 11.36; 1Co 8.6). É assim , Senhor, é assim mesmo. Para onde te chamo, se já estou em ti? De onde virias para estares em mim? Para onde me afastaria, fora do céu e da terá, para que daí viesse a mim o meu Deus, que disse: “o céu e a terra estão cheios da minha presença” (Jr 23.24).

DEUS ESTÁ EM TODAS AS COISAS E NENHUMA O CONTÉM

Portanto, cabes tu no céu e na terra, visto que os enches com a tua presença? Ou, enchendo-as, resta ainda alguma parte de ti, por não te conterem? Por onde difundes o que resta de ti, depois de repletos o céu e a terra? Ou não tens necessidade de ser contido em alguma coisa, tu que tudo conténs, visto que as coisas que enches, as ocupas contendo-as? (Deus “contém” todas as coisas, no sentido de que conserva, sustenta, dá ânimo, vida e força a tudo). Não são, pois, os vasos cheios de ti que te tornam estável porque, ainda que se quebrem, não te derramas; e quando te derramas sobre nós (Gl 2.28; At 2.17; Tt 3.6) – não és tu que de abaixas, mas nós que somos elevados a ti; não te dispersas, mas nos recolhes a nós.

Mas tu, que tudo enches, o fazes com todo o teu ser. E já que o universo inteiro não pode conter todo o teu ser, conterá somente um parte? E todos os seres conterão a mesma parte, ou cada um conterá uma, os seres maiores a parte maior, os menores a menor? Mas há em ti partes maiores e partes menores? Ou estás inteiro em toda parte, e nada existe que te contenha inteiramente?

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